Tumblelog by Soup.io
Newer posts are loading.
You are at the newest post.
Click here to check if anything new just came in.

November 17 2009

Belini
18:36

A UNIVERSIDADE E OS NOVOS CARETAS


– André L. Soares – 16.11.2009 –

.

Durante a ditadura, os universitários constituíam grupo fundamental na luta contra os militares. Era a efetivação prática do que aprendiam nos livros. Imbuídos das teorias de Marx, Sartre e Foucault, entre outros, a vontade de abalar as estruturas do poder surgia naturalmente.

Naquela época, estudante ouvia Caetano Veloso – que ainda não era um chato; mas, sim, a voz mais importante da arte de vanguarda no Brasil. Estudante lia ‘O Pasquim’, mesmo que isso o levasse aos porões do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social). Estudante via filmes de Glauber Rocha – que, de tão autêntico, irritava a direita e a esquerda.


No começo dos anos 80, ao visitar o campus da Universidade de Brasília, o Secretário de Estado norte-americano, Henry Kissinger, foi recebido com ovos. Era o jeito do universitário candango de protestar contra a política externa de Tio Sam.

Quando entrei na universidade, em 1988, um amigo me chamou: ‘– Vamos ao anexo’. Pensei tratar-se de algum antigo ‘aparelho comunista’. Era só um bar, ao estilo copo-sujo, onde estudantes matavam aula para se renderem à cerveja e ao ‘truco’ – o que não chegava a ser ruim.

No início dos anos 90, o universitário brasileiro que ainda protestava contra algo estava nas instituições particulares. Brigava contra o aumento da mensalidade. O último resquício de participação social se deu no ‘impeachment’ de Collor. Após isso, o termo ‘universitário’ foi desvinculado de qualquer reivindicação de maior importância.

Agora, que predomina o discurso meramente materialista, os universitários, em sua maioria, não têm ideais. Possuem carro novo, computador, blog, iphone e ipod. Porém, consciência crítica e opinião própria, a mídia não lhes permite que tenham.

Não digo, com isso, que para ser bom estudante alguém deva se sacrificar por alguma causa. Nem é preciso ser rato-de-biblioteca. Os tempos são outros. A visão social deu lugar à especialização profissional. No entanto, há que se ter um ‘norte’ filosófico: um mínimo-ético que oriente cada ação, impedindo que o universitário se transforme em retrógrado incorrigível, que agride alunas por conta de alguma saia que julgue curta demais.

Aliás, na minha época, mulheres e saias curtas eram muito bem-vindas entre nós, homens universitários. É,… os tempos são mesmo outros.

.

.

.

Leia também:

Alma de Poesia /Gritos Verticais /Natureza Poética /O Poema de Cada Dia /Poética Herética /Raiz de Cem /Sons de Sonetos

Posted in abuso, Brasil, direitos individuais, educação, modernidade Tagged: agressão, filosofia, minissaia, modernidade, mulheres, retrógrados, uniban, universitários

November 16 2009

Belini
14:39

Canção do Outono Sombrio


(Foto: André L. Soares)
.
.
.
CANÇÃO DO OUTONO SOMBRIO
(André L. Soares)
.
Tenho pisado em folhas secas
que se amontoam aos pés das cercas,
depois esvoaçam pelo chão.
Acima, quase brilha um sol cinzento
simultaneamente ao vento,
que uiva a mais sombria das canções.
Vivo uma tristeza há mais de trezentos dias
sem ver flor ou ler poesia,
numa busca que parece ser em vão.
.
Nos meus olhos respinga a garoa fina
que se funde às minhas lágrimas...
(nem sei se sou eu quem chora ou se é o céu).
Escondido sob o espesso sobretudo
carrego o peso do mundo em minhas costas,
seguindo só com minhas botas e o destino infiel.
No meu caminho, a primavera não é óbvia,
sinto mais frio que num inverno em Varsóvia
(sonhos congelados na nevasca da ilusão).
.
Aspiro o pó branco que sobe pelas narinas
ou mergulho na bebida ofertada nos bares...
(falsas amigas que me empurram para a cova).
Não mais havendo lua-nova em minhas noites
semicerro as pálpebras e me acostumo ao breu;
afinal, o pior inimigo a enfrentar ainda sou eu.
.
Feito um corsário sem rumo,
minha alma de pássaro ganhou o azul,
migrou pro Sul,... foi embora no outono.
E se me mantenho em pé é por paixão:
tenho fé, que apesar de tanta derrota,
ao abrir alguma porta, ainda haverá verão.
.
.
.

.
Leia também:
Gritos Verticais /O Poema de Cada Dia /Poética Herética /Raiz de Cem /Sons de Sonetos

November 12 2009

Belini
18:50
4647_349c_420

Foto: André L. Soares.

Belini
18:40
2784_cb94_420

Foto: André L. Soares.

Belini
18:35
0431_4e8d_420

Foto: André L. Soares.

Belini
18:28
0433_c099_420

Foto: André L. Soares.

Belini
18:22
0434_c1b1_420

Fonte: André L. Soares.

Belini
18:07
0436_af54_420

Foto: André L. Soares.

Belini
17:34
0438_488e_420

Foto: André L. Soares.

Belini
17:02
0439_db50_420

Foto: André L. Soares.

October 20 2009

Belini
21:52

Estro


(Foto: André L. Soares)
.
.
.
ESTRO
(Rita Costa & André L. Soares)
.
Adoro a forma como absorve
o que de minha alma
a palavra se alimenta;...
parece que invade
minhas entranhas,
onde apanha letras e fonemas.
Sinto que preencho espaços
resguardados de outras eras,
quando vejo que em seus versos
há muito de minha essência.
.
Não sei o que você pensa...
– penso que nem me entendeu –,
mas sua poesia surge no papel,
e, quem diria,... lá estou eu!
.
.

.

.
Leia também:
Gritos Verticais /O Poema de Cada Dia /Poética Herética /Raiz de Cem /Sons de Sonetos

October 17 2009

Belini
19:09

SORRIA – SEUS MICOS ESTÃO SENDO FILMADOS


– André L. Soares – 17.10.2009 –
.
No final dos anos 80, um grande amigo meu, enlouquecido por encontrar a namorada aos beijos com outro rapaz, subiu em uma mesa do ‘Beirute’ – que é, talvez, o bar mais conhecido de Brasília – e gritou, a plenos pulmões, que a amava e que ia encher ‘aquele cara’ de porrada. Para evitar o pior, muitos interviram, não sem antes que meu amigo derrubasse várias mesas e cadeiras, proferindo palavrões até então desconhecidos pela maioria dos presentes.
.
Passado o momento – e arrefecida a paixão –, sempre que lembrávamos esse fato, meu amigo negava. Dizia que era mentira com tal veemência, que, após alguns anos, eu mesmo passei a duvidar que aquilo tivesse acontecido.
.
Isso porque, antes era mais fácil ‘pagar mico’, já que os efeitos do vexame tinham menor durabilidade e alcance. Bastava, depois de algum tempo, mentir descaradamente, negando o ocorrido. Era a palavra de um contra a palavra do outro. Quem tivesse maior respaldo entre os ouvintes seria o ‘dono-da-verdade’. Hoje, porém, a coisa é diferente.

Agora o mundo está repleto de câmeras digitais, cada vez mais potentes, mais nítidas, mais modernas, mais baratas, com maior capacidade de armazenagem, gravando imagens e sons e, em alguns casos, transmitindo tudo – via ‘bluetooth’ – imediatamente para sites como o YouTube; onde, após exposto, o vídeo – ou a foto – estará acessível a milhões de pessoas. O episódio do ‘chip do Pedro’ deixou isso bem claro.
.
Nunca foi tão difícil esconder fatos corriqueiros. Nunca a privacidade esteve tão ameaçada. Nunca as pessoas foram tão pouco confiáveis. Hoje, qualquer moleque, dotado de um celular com câmera, faz coisas que os ‘arapongas’ do SNI jamais imaginaram fazer, ao longo da ditadura militar.
.
Na eleição de Barack Obama, o mundo conheceu fatos curiosos da intimidade do presidente, que foi flagrado, por exemplo, calçando sapato furado. O sapato velho do presidente não tem relevância. O problema é pensarmos que foi alguém, ‘de confiança’ – parentes, funcionários antigos, amigos íntimos – que repassou a foto, contrariando todo o trabalho de marketing pessoal.
.
E se o homem mais poderoso do mundo não escapa a essa exposição; imagine o que não farão conosco esses invasores de privacidade. Agora é preciso pensar duas vezes antes de palitar o dente. E você, adolescente masturbador, cuidado: talvez seu irmão o esteja filmando, no escuro do banheiro.
.
Muitos, buscando ter o vídeo mais acessado do dia, vão expor os entes mais queridos, sem pestanejar. E se isso tem um lado positivo, que é o de intimidar e, quem sabe até minimizar ações criminosas de menor porte; por outro lado, o próprio uso indevido dessas imagens – gravadas e expostas publicamente, em sua maioria, sem o consentimento dos envolvidos – já se constitui crime.
.
Somando-se a isso os recursos do GPS e as prováveis evoluções de sistemas como o Google Earth, pode-se afirmar, sem chance de erro, que a privacidade está com os dias contados.
.
.

.

Leia também:

Alma de Poesia /Gritos Verticais /Natureza Poética /O Poema de Cada Dia /Poética Herética /Raiz de Cem /Sons de Sonetos

Posted in 1, abuso, cronica, direito, direitos individuais, internet, modernidade, tecnologia Tagged: câmeras, direitos, direitos de imagem, exposição, filmagem, fotos, Google Earth, GPS, intimidade, mico, privacidade, tecnologia, YouTube

October 14 2009

Belini
21:29

Utopias e Ventos


[Foto: André L. Soares]

.

.

.

UTOPIAS E VENTOS
(André L. Soares)
.
Desde sempre é esse mistério
no escapulário, no cavalo,
no cemitério, no cardume, no cardápio,
no calcário, na oração!
.
E o que fazer diante do tempo
e da Ordem dos Templários,
na escuridão dos monastérios
ou na espada dos assírios,
sabendo que, hoje, nossos filhos
- espalhados pelo mundo -,
ainda trilham mil calvários
atrás dessa liberdade,…
sempre por vir?
.
Diante disso,…
quero explodir mil fevereiros,
riscar um novo manifesto,
sendo meu próprio Querubim
- burgês de origem operária,
razão no fio da navalha -,
reinventando a velha história
(agora me levando a sério)
e no vermelho-climatério
abrir porões, quebrar os elos,
destituindo donatários,…
por esse ‘Dezoito de Brumário’
escrito dentro de mim.
.

.

.

Leia também:

Alma de Poesia /Gritos Verticais /Natureza Poética /O Poema de Cada Dia /Poética Herética /Raiz de Cem /Sons de Sonetos

Posted in fotografia, Literatura, poema, poesia, Prosa Tagged: brumário, donatário, filosofia, manifesto, mistério, querubim, revolução, utopia

October 05 2009

Belini
23:11

Para Mercedes Sosa


(Foto: André L. Soares)
.
.
.
PARA MERCEDES SOSA
(André L. Soares – 05.10.2009 – Guarapari/ES)
.
Trouxeste luz, ao sul do continente
e, de repente, nós,... povos estanques,
éramos bravos, bons, belos gigantes
e muito maior o amor por nossa gente.
.
Soltaste a voz, quebrando a dor silente,
então nos vimos, bem melhor que antes:
milhões de irmãos, somando suor e sangue,
atrás do sonho,... passo firme, em frente.
.
Foste o clamor dos pobres deste solo
e também diva, lírica da ética,...
estrela-guia dos poetas mais audazes.
.
Hoje partiste, sem culpa e sem dolo,
pássaro livre,... flor e mãe da América,
agora, enfim, só vais cantar pros deuses!
.
.
.
.
Leia também:
Gritos Verticais /O Poema de Cada Dia /Poética Herética /Raiz de Cem /Sons de Sonetos

September 30 2009

Belini
19:38

Loucura


(Foto: André L. Soares)
.
.
.
LOUCURA
(André L. Soares)
.
Se o preço da sensatez
é o eterno questionamento
da dúvida que não cala
a cansativa fissura,...
quero esquecer as perguntas,
desejo ser mudo e surdo,
vou jogar fora o encéfalo
e me render à loucura.
.
.
.
.
Leia também:
Gritos Verticais /O Poema de Cada Dia /Poética Herética /Raiz de Cem /Sons de Sonetos

September 29 2009

Belini
21:54

Das Marés


(Foto: André L. Soares)
.
.
.
DAS MARÉS
(André L. Soares & Rita Costa)
.
Teu jeito criança
veio com o mar.
A tua esperança
nasce do mar.
A cor dessas tranças
brilha no mar;...
o futuro nas conchas,
vi na pérola negra
em meio ao coqueiral.
.
O fim desse mundo
é o limite do mar.
Os desejos profundos
vêm do fundo do mar.
Nosso sonho mais lindo
sonho à beira-mar;...
no ouro da praia,
na cama de areia,
coroar-te mulher.
.
À tardinha o céu desce
até beijar o mar.
O profeta já disse
que o sertão vira mar.
Então, faço uma prece
louvando esse mar;...
ao lançar minha rede
sempre peço pra lua
um novo amanhecer.
.
.
.
.
Leia também:
Gritos Verticais /O Poema de Cada Dia /Poética Herética /Raiz de Cem /Sons de Sonetos

September 25 2009

Belini
21:09

Direito Autoral


(Foto: André L. Soares)
.
.
.
DIREITO AUTORAL
(André L. Soares)
.
...tal descuidada prostituta,
que engravida
e enche o mundo,
sou o pai e a mãe
de todos os meus filhos
e faço questão de assumi-los
...feios ou não.
Não aceito adoção;
a menos, claro, que me paguem
para também prostituí-los
ou, quem sabe, óbvio,...
até concorde que, de graça,
os exibam nas esquinas
– para o merecido escárnio –,
desde que citem meu nome
como o autor das criaturas;
posto que,
...feias ou não,...
ainda são minhas.
.
.
.

.
Leia também:
Gritos Verticais /O Poema de Cada Dia /Poética Herética /Raiz de Cem /Sons de Sonetos

September 24 2009

Belini
21:13

BLOGS – A ORIGINALIDADE FAZ A DIFERENÇA


– André L. Soares – 24.09.2009 –

.
Texto bem escrito é algo maravilhoso: gera reflexão. Hoje esbarrei em um, da Márcia Filósofa, do blog ‘Menina Virgem’, intitulado ‘A onda do blogueiro marionete’. Motivado por esse trabalho – na humilde condição de debatedor –, acrescento minha visão ao raciocínio, referente à liberdade de expressão e uso democrático dos blogs.
O texto da ‘menina virgem’ se constitui amplo convite à originalidade. Aqui mesmo, no ‘Doce de Fel’, já invoquei – mais de uma vez – o fim da mesmice, por acreditar que todos podem ser criativos. Esse debate ainda se faz necessário.

Eu sei: esperar que todo blogueiro tenha responsabilidade pela notícia que veicula equivale a querer o fim da fofoca. Espírito de liderança, capacidade de raciocínio e redação própria são – infelizmente – dons de poucos. Na Internet, as teclas ‘Control+C’ e ‘Control+V’ irão satisfazer, ainda por décadas, os pobres de espírito.
Mas por que é tão difícil, para grande parte dos blogueiros, escrever com originalidade? Para ter opinião coerente, não é preciso total domínio da língua formal ou ler mil livros. Pessoas simples, de pouca formação, também têm capacidade de se expressar. Conheço algumas que o fazem com extrema eficácia, apenas por saberem olhar o mundo ao redor.
Nos blogs, erro comum é abordar tema sobre o qual o blogueiro não possui vivência. É melhor falar do que está próximo. Aqui, numa das postagens mais lidas, falei do conflito entre turistas e ambulantes em minha cidade (A Última Fronteira da Honestidade). Em outra ocasião, citei abusos da telefonia (A Oi Está Cobrando Até Por Chamada Não Atendida). Não usei ‘academicismo’, nem falei sobre o intangível. Os comentários mostram que as pessoas se identificaram com as abordagens.
No entanto, o brasileiro – formado ou não – é, quase sempre, alienado. Não pensa por si mesmo, nem percebe, minimamente, o mundo a sua volta. Não bastasse isso, toma a televisão como principal fonte. A ‘tevê’ dá informação pronta, unilateral, sem interação, reforçada pelo ‘objeto construído’ (quando a notícia ganha força, não pelo conteúdo, mas pelo valor conferido previamente à mídia que a propaga – daí que, se ditas no ‘Fantástico’, mentiras viram verdades). Isso é perfeito para quem tem preguiça de pensar ou não foi educado para o questionamento.
Nossa cultura é alicerçada na religião que, por sua vez, baseia-se em dogmas, que é a arte de propagar, como verdades absolutas, coisas pouco prováveis ou, no mínimo, questionáveis. É o tal do: ‘é, porque é’; ‘é, porque Deus quis’; ‘é, porque está na Bíblia’; ‘é, porque eu vi no Discovery Channel’. E pronto! Tal aceitação passiva dos fatos favorece somente às elites que, desde sempre, morrem de medo que o povo aprenda a pensar.
Com isso, a informação não transforma: apenas mantém eterna a estrutura da desigualdade social. Assim, a comunicação é usada para preservar o poder – e não para revolucionar; posto que a ‘verdade’ – manipulada por omissão ou distorção – jamais é questionada.
Poucos analisam o termo ‘verdade’. O que será isso? Quanto tempo dura a verdade? Existe só uma verdade para cada fato? O que torna verdadeira a informação? Há verdade definitiva fora do saber básico da Física e da Matemática? Existe verdade palpável? Poucos pensam sobre isso.
Como consequência, a originalidade perde importância. Vale a quantidade, em detrimento da qualidade. Todos querem postar; ter ‘pagerank’; acumular visitas, ‘cliques’, centavos. Visam o topo do ‘ranking’. Ainda que esse possa ser manipulado por adolescentes ‘cabeça-oca’, desses que falam ‘tipo-assim’ duas vezes em cada frase.
A recém-nascida ‘blogosfera’ ainda se vê entalada com plágios. Pessoas não postam a fonte porque, em parte, querem assinar o que não escreveram. É a junção da ingenuidade com a idiotice. Alguém copia um texto, insere o próprio nome na ‘res furtiva’ e posta na maior vitrine da Terra: a Internet. Depois, senta e espera elogios, supondo que ninguém verá o ilícito. Seria mais fácil andar pelado e não ser notado, à luz do dia, em plena Av. Paulista.
Muito acertadamente, a ‘Menina Virgem’ disse que, ‘as pessoas não têm responsabilidade jurídica pelo que publicam’. E não têm mesmo. A maioria quer apenas encher o blog de letras e imagens, sem pensar nos possíveis efeitos da notícia. Postar qualquer coisa, todo dia; mover mecanismos de busca, para que leitores caiam de pára-quedas e ‘cliquem’ nos anúncios, gerando centavos via Adsense e afins.
É a força do dinheiro – ainda que em conta-gotas. Poucos se perguntam se o conteúdo tem qualidade. Importa mais saber que, se a postagem possuir os termos ‘Naruto’ e ‘sexo’, gerará mais visitas e ‘cliques’. É o império das ‘tags’. Um vale-tudo, onde poucos se dão conta da importância social do blog, como ferramenta que permite comunicação direta entre os cidadãos. Poucos entendem que seria bem mais útil falar de questões locais.
E há, ainda, a vaidade de ‘querer’ parecer intelectual. Alguns mal se livraram do ‘Ataliba’ e já escrevem sobre ‘mecatrônica’. Esses mesmos são oprimidos pelo patrão, roubados pelos bancos e pelo Estado, mas não entendem o ‘ouro social’ que seria falar sobre os problemas que os atingem diretamente. A originalidade está ao alcance da mão. Mas quantos a querem tocar?
Apesar de tudo, mesmo reconhecendo tantos problemas, vejo como positiva a ‘revolução da palavra’ – representada pelos blogs –, cuja força já fez surgir discurso oficial no sentido de coibir a ‘rede’, impondo-lhe regras e limitando acessos (‘Lei Azeredo’). Isso, sim, preocupa-me bastante.
Gosto de quem se arrisca, expondo idéias próprias. Lamento por quem faz do blog um ‘ferro-velho-de-notícias-roubadas’. Seres humanos podem ser mais que meras máquinas copiadoras.
Daí que, no geral, apesar dos plagiadores, caça-níqueis, bobos-da-corte e marionetes, a blogosfera incomoda muita gente: seja porque diminui a força da mídia institucionalizada; seja porque já permite que se encontre quem desenvolva pensamento original, com bastante coerência.
Essa chamada à originalidade, feita no blog ‘Menina Virgem’, é um claro sinal de que estamos progredindo.
.
.
Leia também:

Alma de Poesia /Gritos Verticais /Natureza Poética /O Poema de Cada Dia /Poética Herética /Raiz de Cem /Sons de Sonetos

Posted in 1, Brasil, cronica, Direitos autorais, internet Tagged: blogs, diferença, mesmice, notícias, originalidade, questionamento, verdade

September 20 2009

Belini
18:16
5877_23c3_420
Foto: André L. Soares.
Belini
18:03
5878_a73f_420
Foto: André L. Soares.
Older posts are this way If this message doesn't go away, click anywhere on the page to continue loading posts.
Could not load more posts
Maybe Soup is currently being updated? I'll try again automatically in a few seconds...
Just a second, loading more posts...
You've reached the end.